Monitorar o sono em casa é possível?

Atualizado: Jun 18


Se procurarmos por “sono” na loja virtual do celular, certamente vamos encontrar diversos aplicativos que prometem monitorar o sono. Muitos celulares inclusive já vêm com funções de avaliação de sono de fábrica. Além disso, smartwatches (relógios inteligentes) quase sempre apresentam alguma funcionalidade relacionada à avaliação do sono. Essas ferramentas em conjunto são chamadas de monitores de sono (ou sleeptrackers). Em geral, esses aplicativos indicam o tempo de sono à noite, bem como quanto tempo foi passado em cada estágio de sono.

O apelo para esses monitores portáteis é muito grande: Primeiro porque as pessoas têm muito interesse em saber como é seu sono à noite. Além disso, devemos lembrar que a polissonografia (principal exame em Medicina do Sono) é cara e desconfortável. Portanto, se conseguíssemos substituir a polissonografia por um simples relógio ou aplicativo, facilitaríamos muito a avaliação do padrão de sono à noite. Esses argumentos são fortes, mas será que os monitores de sono portáteis realmente funcionam


Estágios do sono

Um dos grandes desafios dos monitores de sono é conseguir estagiar o sono, ou seja, diferenciar os estágios de sono que acontecem durante a noite e informar quanto tempo passamos em cada estágio. Na nossa noite, passamos por duas grandes fases de sono: O sono Não-REM e o sono REM.

O sono REM é um dos estágios mais famosos do sono, pois é quando a maior parte dos nossos sonhos acontecem. A sigla REM vem do termo em inglês para movimento rápido dos olhos (Rapid Eye Movement), justamente por que quando sonhamos movimentamos nossos olhos. Este estágio do sono é muito importante para a memória e para a cognição. Pessoas que têm diminuição do tempo de sono REM podem ficar mais desatentas, ter prejuízo de memória e outros problemas relacionados com a cognição. Esse estágio é mais frequente no final da noite e corresponde a mais ou menos 25% do tempo de sono.

Já o sono Não-REM é mais comum na primeira metade da noite. Ele é dividido em três partes: sono N1, N2 e N3. Ao longo dessas três partes nosso corpo vai ficando cada vez mais lento. Nosso coração, nossa respiração e nosso cérebro vão desacelerando gradualmente. O estágio em que nossas funções estão mais reduzidas é no estágio N3, que também é chamado de “sono de ondas lentas”. Enquanto o sono REM era importante para o funcionamento cerebral, o sono não-REM é muito importante ao funcionamento do corpo. É nele, por exemplo, que é secretado o hormônio do crescimento. O estágio N3 também ocupa cerca de 25% da nossa noite.

Note que cada estágio de sono desempenha uma função importante e diferente no nosso corpo. É justamente por isso que não nos basta simplesmente estimar o tempo de sono; é preciso saber quanto tempo se passa em cada estágio de sono. O problema dos monitores de sono atuais

A maior parte desses monitores de sono usa sensores de movimentação dos celulares e relógios para estimar o sono. Eles se baseiam na premissa de que quanto menos nos movimentamos, mais profundo é nosso sono. Essa premissa é parcialmente verdadeira. Com base nesse tipo de avaliação, até é possível estimar o horário em que alguém dorme e acorda. Porém, qualquer análise além disso é incerta. A simples análise de movimentação é incapaz de distinguir esses estágios de modo adequado.

Alguns aplicativos ou dispositivos separam o sono em “sono superficial” e “sono profundo”. Ainda que isso possa parecer interessante, é um grande problema técnico. Esse “sono profundo” é geralmente algo bastante impreciso, composto por uma mistura não muito clara entre o sono de ondas lentas e o sono REM. Como não se pode distinguir um de outro, não se sabe exatamente o que se está medindo. Outros problemas também podem ocorrer: muitos destes aplicativos nunca foram comparados com os resultados de uma polissonografia. Então, corremos o risco de estar usando informações de aplicativos que nunca foram devidamente testados e validados.

Ainda assim, seria muito bom sermos capazes de identificar os estágios de sono de modo adequado e portátil. Como já falamos anteriormente, isso poderia baratear os custos em medicina do sono, oferecendo informações interessantes aos usuários. Além disso, acompanhar o sono em casa pode ser uma ótima maneira de averiguar queixas de sono, bem como acompanhar se um tratamento para insônia está fazendo efeito.

A SleepUp está atualmente desenvolvendo seus próprios dispositivos e tecnologias para monitoramento do sono. Porém, temos conhecimento de todas essas limitações, bem como o compromisso de não lançar algo sem a certeza de que os resultados são confiáveis e validados. Isso é o nosso modo de respeitar o sono e a confiança das pessoas que usam nossos serviços! Fique atento às nossas redes sociais, pois em breve teremos novidades!

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