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Estresse: Qual a relação com o sono?


SleepUp Blog: Estresse e sono

Com o estilo de vida que temos adotado nas últimas décadas, o estresse se tornou parte do nosso cotidiano. Principalmente nas grandes cidades, não há quem não esteja estressado. Uma das consequências mais claras do estresse é a falta de sono e a insônia.

Neste blog vamos tentar entender o que é o estresse e qual a sua relação com o sono. Além disso, você encontrará algumas dicas para conseguir dormir mesmo em condições estressantes. O que é o estresse?

Estresse é um termo bastante genérico, que engloba todos os tipos de ameaças, reais ou percebidas, à nossa integridade psicológica ou fisiológica (e muitas vezes uma ameaça à vida!). Note que aqui já temos uma definição importante: o estresse não se refere apenas ao nosso comportamento e aspectos psicológicos, mas a todo o nosso corpo.

Como o estresse é uma ameaça ao nosso corpo, ele sempre deve gerar uma resposta. Isso é algo geralmente bom, pois nos permite tentar lidar e vencer a ameaça, seja ela qual for. Mas as vezes a resposta pode sair de controle e aí começamos a ter resultados negativos.


Podemos classificar o estresse de acordo com a sua origem, entre estressores orgânicos (ou biogênicos) e estressores psicológicos (ou psicossociais). Independentemente do tipo de estresse, a resposta é sempre bastante parecida e com a mesma finalidade: preparar nosso corpo para reagir ao perigo. Para isso, várias coisas acontecem:

· Aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca:

O coração precisa bater mais forte e rápido para levar sangue, oxigênio e nutrientes para o cérebro e os músculos.

· A respiração fica mais rápida

Para garantir oxigênio suficiente para o corpo em uma situação de perigo.

· A quantidade de açúcar no sangue (glicemia) aumenta

Se precisarmos reagir a uma situação de perigo (correr ou lutar, por exemplo), o açúcar será uma importante fonte de energia.

· Aumento do alerta e da atenção

Se estamos em perigo, é importante estarmos atentos a tudo que ocorre ao nosso redor. Com isso a atenção aumenta e o sono vai embora.

Tudo isso acontece com auxílio de dois hormônios principais: o cortisol e a adrenalina, que são chamados de “hormônios do estresse”. Por que o estresse é importante?

Apesar de sempre associarmos o estresse a algo ruim, as respostas ao estresse são essenciais ao nosso organismo e importantes para reagirmos a situações estressantes, principalmente para grandes ameaças agudas. Vamos pensar em alguns tipos de estresses agudos:

· Você foi assaltado · Você recebeu uma notícia muito ruim · Você está fazendo exercício físico · Você se machucou em um acidente · Você encontrou uma cobra ou outro animal selvagem · Você está caminhando por uma rua escura, deserta e perigosa


Em todos esses casos, a resposta de estresse é muito importante, pois garante que consigamos reagir ao problema de modo imediato, superando-o. Por isso dizemos que a resposta ao estresse é adaptativa, pois nos permite adaptar a essas situações.


Mas é importante notar que assim que o estresse passa, a resposta termina e todo nosso corpo volta a funcionar normalmente. Resumindo: a resposta de estresse é essencial em casos agudos.

Quando o estresse é um problema?


A resposta de estresse foi desenvolvida ao longo da evolução para nos fazer reagir a estresses agudos, principalmente fisiológicos. Porém, o estilo de vida das últimas décadas nos tem feito passar por um tipo de estresse novo: o estresse psicológico crônico.


Esses estresses são causados por fatores psicológicos, comportamentais ou sociais. Mais importante, esses estresses geralmente não se resolvem rapidamente (como os estresses agudos que falamos anteriormente), tendendo a se repetir por muitos dias seguidos. Alguns exemplos de estresses psicossociais crônicos são:


· Você está com problemas financeiros

· Você está com problemas familiares ou conjugais

· Você mora em uma região perigosa

· Você está em uma situação de vulnerabilidade social

· Você passa por relações abusivas no trabalho ou escola

· Você sofre preconceito, bullying ou intimidações sistêmicas

· Você passa por um período de sobrecarga de trabalho ou sobrecarga mental


Em todos esses casos nosso corpo detecta o estresse e desencadeia a mesma resposta. Porém, diferentemente dos estresses agudos, esses estresses psicossociais crônicos não passam do dia para a noite.


Se você for exposto a um desses estresses hoje, vai passar por todas as alterações que mencionamos antes, mas o problema não vai se resolver. Na verdade, vai se repetir, e repetir, e repetir, dia após dia. Por isso dizemos que a resposta ao estresse crônico é desadaptativa, pois não adapta nem resolve o problema.


Vamos pegar um exemplo de uma senhora que mora na periferia da cidade, gasta muito tempo se deslocando até o trabalho e chegando lá tem que lidar com um chefe abusivo e desrespeitoso. Essa mulher está tendo respostas de estresse o tempo todo! E como a situação vai se repetir todos os dias, ela terá a mesmas respostas todos os dias.


Quando entendemos que a resposta se repete diariamente, começamos a entender por que o estresse crônico é um problema. Justamente porque os efeitos que deviam acontecer esporadicamente, para resolver problemas pontuais, passam a se repetir por muito tempo.


E é justamente por isso que o estresse leva a problemas como a pressão alta, o diabetes, a ansiedade e a insônia.


Relação entre sono e estresse


Como parte daquela reação de estresse normal, é natural que percamos o sono durante um período de estresse agudo. Imagine que amanhã pela manhã você terá uma prova na escola, que fará uma entrevista de emprego ou que terá uma reunião muito importante. É natural que você passe a noite em claro.


Ficar alerta e desperto é parte de uma resposta normal, para respondermos aos perigos e ameaças. Com isso, o cérebro fica ativado e “ligado”.