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Remédios para dormir: Quando usá-los para tratar insônia

Atualizado: 2 de Ago de 2020


Blog da SleepUp: Quando tomar remédios para tratar insônia

Estima-se que cerca de 15% das pessoas nas grandes cidades tenham insônia. Isso significa que em uma cidade como São Paulo, quase 2 milhões de pessoas tenham esse distúrbio. Quando consideramos algo mais abrangente, como a frequência de queixas gerais ou reclamações sobre o sono (como dificuldade de dormir ou sonolência diurna), isso pode subir para 70%! Com tantas pessoas dormindo mal, é natural que muitos busquem por algo que as faça dormir melhor.


Entre as diversas técnicas possíveis para tratamento de insônia (como a terapia cognitiva-comportamental e técnicas complementares com a meditação e o mindfulness), muitas das pessoas acabam recorrendo às medicações para dormir (também conhecidos como hipnóticos). Parece existir uma busca por uma pílula mágica que nos faça dormir bem à noite e acordar dispostos na manhã seguinte.


Será que essas medicações para dormir realmente funcionam? Neste blog vamos discutir os usos e os perigos das medicações hipnóticas.


Medicações disponíveis para dormir


A indústria farmacêutica tem investido muito em medicações para dormir, justamente por saberem que o mercado de pessoas querendo comprar algo que as faça ter uma boa noite de sono é enorme.


Desde a década de 70, novas medicações têm sido desenvolvidas especificamente para o tratamento da insônia (como os benzodiazepínicos e o zolpidem). Atualmente vivemos uma revolução nessa área e estamos entrando na 4ª geração das medicações indutoras de sono.


Essas medicações são específicas para a indução do sono e já estão disponíveis há algum tempo (o que não significa que não tenham efeitos colaterais – como discutiremos a seguir). Ainda assim, muitas pessoas ainda usam outras medicações, como os calmantes, antidepressivos e até alguns antialérgicos.


Muitas vezes o uso desses remédios é fruto da auto-medicação. Isso é um grande risco, pois ao se auto-medicar não temos controle preciso de dose e dos efeitos. Além disso, algumas pessoas recorrem até mesmo ao álcool como alternativa para tentar dormir.


Os remédios para dormir realmente funcionam?


Depende do que você chama de dormir...


Se você estiver simplesmente falando do tempo que passa na cama, a resposta é “sim”. A maior parte dessas medicações realmente vai nos fazer dormir por um tempo maior. Porém, temos que entender que “dormir mais” é algo completamente diferente de “dormir melhor”. O tempo não é necessariamente um bom indicativo de uma boa qualidade de sono. Na verdade, um tempo deitado muito aumentado é muitas vezes um indicativo de que ele não está ocorrendo de modo adequado.


Essas medicações para dormir agem no nosso cérebro, alterando os neurotransmissores que regulam o nosso ciclo circadiano. Com isso, elas acabam alterando muito a arquitetura do nosso sono.


Você deve se lembrar de que o sono é composto por diversos estágios. Uma noite de qualidade depende de uma organização bem refinada da sequência e da proporção de cada um destes estágios. Para nos fazer dormir mais, os remédios hipnóticos bagunçam completamente a harmonia entre os estágios do sono.


Para nos fazerem dormir mais, esses remédios levam a um aumento muito grande no tempo de sono de ondas lentas (também chamado estágio N3). Como este é o estágio mais profundo, aumentá-lo significa que estamos quase sedados ao usar essas medicações. Em contrapartida, o sono REM (muito importante para o funcionamento adequado do nosso cérebro) é muito diminuído. Essa desproporção entre estágio N3 e REM é um dos grandes efeitos negativos das medicações para dormir. Note que ao alterar o balanço desses estágios, as medicações para dormir induzem um sono completamente artificial.


Além do prejuízo ao equilíbrio desses estágios, muitos outros problemas podem ocorrer com o uso destas medicações:


Efeitos colaterais das medicações para dormir:


  • Sonolência residual: Este é o nome técnico para quando acordamos baqueados e com sono, após uma noite em que tomamos uma medicação para dormir. Isso acontece principalmente quando a medicação não está ajustada (seja no tipo de medicamento ou na dose). Nesse caso, quando acordarmos ainda estamos sob efeito do remédio que foi tomado na noite anterior.

  • Prejuízos cognitivos e problemas de memória: Lembre-se que o sono REM é essencial para que a nossa memória funcione bem. Como essas medicações diminuem muito o REM, elas acabam por afetar muito a memória.

  • Dificuldades de concentração e déficit de atenção: Pelo mesmo motivo anterior, o uso dessas medicações podem nos fazer ter dificuldade de concentrar e manter a atenção. Por conta disso, pessoas com insônia ou privadas de sono também podem ter dificuldades de aprendizado.

  • Letargia, apatia, confusão mental e falta de coordenação: Lembra que dissemos que os remédios para dormir aumentam o tempo de sono de ondas lentas? Esse estágio chama-se assim justamente por que nosso cérebro está trabalhando com a menor velocidade possível. Isso realmente é importante durante a noite, mas certamente não é algo que queiramos durante o dia. Dependendo da dose, as pessoas que tomam medicações para dormir podem ainda ficar sob o efeito desses remédios mesmo durante o dia. Nesse caso, o cérebro funciona de modo mais lento, causando todos esses efeitos.

  • Tolerância: Sempre quando tomamos um remédio de uso contínuo, é possível que com o tempo ele deixe de fazer efeito. A isso se dá o nome de tolerância. A única maneira de driblar a tolerância é aumentar a dose. Porém, em medicamentos como os indutores de sono, aumentar muito a dose posse ser bem perigoso e aumenta muito a chance de efeitos colaterais.

  • Dependência: Muitos desses remédios podem causar dependência física e mental. No caso da dependência mental (chamada de “condicionamento”) a pessoa não se sente mais capaz de dormir sem o medicamento. No final das contas o remédio não faz mais efeito (como falamos acima, no item “tolerância”), mas mesmo assim não conseguimos deixá-lo.

  • Interações medicamentosas: Os medicamentos para dormir apresentam muitas interações medicamentosas. As principais delas são com outras drogas que também fazem com que o cérebro desacelere. Alguns exemplos são calmantes, medicamentos para dor e barbitúricos. Portanto, nunca tome um desses remédios por conta própria. Mesmo que a medicação para dormir tenha sido prescrita pelo seu médico, avise-o de outras medicações que você já toma, para que ele avalie se é seguro usá-la. Outra interação medicamentosa muito importante dos remédios para dormir é com o álcool. Jamais beba e tome medicação para dormir! Os riscos são grandes...